Saúde

O envelhecimento e a função pulmonar

© Sebastian Kaulitzki - Dreamstime
© Sebastian Kaulitzki - Dreamstime

A função pulmonar declina paralelamente a de outros órgãos de modo que, no envelhecimento normal, a pessoa nada sente.

A ventilação pulmonar (inspiração – entrada de ar nos pulmões; e expiração – saída do ar, deixando no sangue o oxigênio e retirando o gás carbônico formado no metabolismo das células do organismo) tem sua capacidade diminuída com a idade.

No envelhecimento, a elasticidade do tecido pulmonar diminui, bem como a elasticidade da caixa toráxica, formada pelas costelas, cartilagens costais, manúbrio e diafragma. As articulações na coluna toráxica têm seus ligamentos enrijecidos, assim como as cartilagens costais. Os movimentos do diafragma são diminuídos, geralmente devido ao ganho de peso.

Por outro lado, os brônquios devem estar livres para deixar o ar entrar e sair sem dificuldade.

O tabagismo, principalmente, durante a mocidade e a idade adulta, prejudica a função pulmonar no envelhecimento, produzindo falta de ar nos indivíduos. No início, na prática de exercícios mais intensos; depois, mesmo nos exercícios leves e, por fim, até em repouso. Nos casos extremos, mesmo em repouso e recebendo oxigênio por máscara ou por cateter nasal.

A fumaça do cigarro inflama os brônquios, diminuindo sua abertura (bronquite) e acentuando muito a perda da elasticidade pulmonar (enfisema pulmonar). No enfisema, os pulmões ficam grandes, insuflados, com dificuldade para esvaziar o ar na expiração. Daí a dificuldade para ventilar os pulmões e a consequente falta de ar.

Não fumar evita todas essas alterações nos pulmões e todos esses sintomas desagradáveis que aparecem justamente no envelhecimento devido à soma de todos esses anos de tabagismo.

Muitas vezes, tabagistas acima dos 60 anos começam a emagrecer sem razão aparente ou escarrar sangue sem estarem com infecção pulmonar ou ter quadro de pneumonia (febre alta, dor no tórax, escarro com sangue e raio-x do tórax com opacidades) de repetição. Nesses casos, o médico consultado logo diagnostica câncer de pulmão e os exames pedidos acabam confirmando o diagnóstico.

O câncer de pulmão, na sua maioria, é provocado pelo fumo prolongado e, geralmente, eclode no idoso, justamente com longo  tabagismo.

“A fumaça do cigarro inflama os brônquios, diminuindo sua abertura e acentuando muito a perda da elasticidade pulmonar.”

Para surpreender o câncer de pulmão no seu início e, portanto, podendo ser operado e curado, é sugerido que todo fumante faça pelo menos um raio-x de tórax por ano.

Com a idade, a imunidade – isto é, a capacidade de combater e curar as infecções – declina. Por isso, as infecções das vias aéreas superiores (nariz, garganta) e das vias aéreas inferiores (traqueia, brônquios e pulmões) são mais frequentes ou mais intensas.

As infecções geralmente começam com resfriado (espirros, coriza, dor de garganta, tosse, catarro), febre que não chega a 38°C. Se os sintomas duram mais de uma semana, com expectoração amarelada ou esverdeada, ou se aparecer chiado ao respirar, o idoso deverá procurar o médico para ser tratado.

Acima dos 65 anos é aconselhável tomar vacina antigripal anualmente. Também é aconselhável tomar vacina antipneumocócica a cada 5 anos.

A obesidade deve ser sempre evitada, principalmente com a idade, pois pode produzir canseira ou falta de ar aos esforços, respiração com pausa durante o sono (apnéia), dormir agitado e sonolência durante o dia, hipertensão arterial etc.

“A obesidade deve ser sempre evitada, principalmente com a idade, pois pode produzir canseira ou falta de ar aos esforços…”

Há uma doença pulmonar que surge com o envelhecimento, incide principalmente entre os 60 e 70 anos e provocando tosse seca: fibrose pulmonar (falta de ar progressiva, iniciando-se aos esforços).

A fibrose pulmonar se intensifica progressivamente e aparece cianose – cor arroxeada dos lábios e das unhas – com a ocorrência de óbito em média 3 anos após o início dos sintomas. Desta doença não se conhece a causa e os tratamentos geralmente não mudam a progressão da doença.

Com a idade e a obesidade pode se formar a hérnia de hiato. A junção entre o esôfago e o estômago se alarga, não se fecha, e o conteúdo do estômago pode refluir, principalmente ao deitar. Suspeita-se do refluxo quando o paciente tem azia (que sobe até a garganta), tosse ou chiado. E mesmo falta de ar quando deitado ou com pneumonia de repetição.

O médico deve ser consultado. Uma endoscopia digestiva visando o esôfago e o estômago vai comprovar o diagnóstico. Um remédio que diminua a acidez do suco gástrico, assim como alguns conselhos, como jantar cedo e pouco, não tomar café e bebidas alcoólicas no jantar, não comer mais nada até se deitar e erguer a cabeceira da cama tornam os refluxos mais espaçados e de menor intensidade.

Não fumar, não engordar, tratar com rapidez as infecções das vias aéreas e o refluxo gastroesofágico, fazer uma radiografia de tórax anualmente e manter-se ativo fazendo exercícios. Formular e executar planos, projetos ou tarefas – como viagens, festas, comemorações, reformas e pesquisas – contribuirão para a saúde e a alegria de viver durante o envelhecimento.

*Prof. Dr. João Valente Barbas Filho, graduado, doutor, livre-docente e professor associado em pneumologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, é professor emérito da USP e sóciofundador da Sociedade Brasileira de Pneumologia.

Publicado originalmente na edição 1 impressa do Guia da 3a Idade

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