Saúde

Conheça sua próstata

© janulla - Stockphoto
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Todo homem precisa conhecer os sintomas iniciais das doenças prostáticas para não perder tempo e procurar seu urologista tão logo os sinta.

Mesmo sem sintomas, homens acima de 45 anos devem fazer seu check-up prostático.

Há relatos antigos do interesse da medicina em aliviar os problemas dos homens ao urinar. Papiros egípcios do século XV a.C. já reportam a utilização de extratos de plantas com esse objetivo. No século IV a.C., Oribasius de Pérgamo tentou cortar a próstata abrindo a uretra logo abaixo da bolsa escrotal. A operação, chamada de “talha perineal”, envolvia muitos riscos.

Ainda hoje se discutem muitos aspectos da função e da importância dessa glândula para a saúde do homem.

Seu tamanho equivale ao de uma noz, mas, como se situa logo abaixo da bexiga e envolve a uretra, por onde passa a urina, qualquer alteração de seu volume acaba dificultando o ato da micção. Ou seja, quem tem esse tipo de problema algumas vezes demora para começar a urinar, outras vezes urina muito pouco, pois o resto fica retido na própria bexiga. Daí tem de voltar muitas vezes ao banheiro durante o dia e também à noite, urinando um pouquinho de cada vez, pois a próstata que aumenta de tamanho comprime a uretra e não deixa a urina passar. Essa amolação, que incomoda principalmente homens com mais de 50 anos, é, no entanto, somente parte da questão.

1. A próstata pode evoluir com quatro diferentes formas de doença

HPB: Hiperplasia Prostática Benigna – Trata-se de um aumento benigno do volume da próstata em decorrência de vários fatores, entre os quais se destacam o avançar da idade do homem e a presença de hormônios androgênicos circulantes (o aparecimento de HPB depende de concentrações normais de testosterona no sangue). Antigamente, a doença era conhecida como adenona de próstata.

Câncer de próstata – Constitui a primeira doença maligna mais comum no homem. A testosterona é necessária para o crescimento da próstata. De acordo com recentes dados estatísticos norte-americanos, é a segunda causa mais frequente de morte por algum tipo de câncer nos Estados Unidos, perdendo apenas para o câncer de pulmão.

Prostatite – Infecção provocada em geral por alguma bactéria identificada por exames laboratoriais, incluindo exame microscópico inicial, conhecido como bacterioscopia, e cultura, para detectar com mais clareza o tipo ou tipos de germes presentes no caso.

Prostatose (conhecida também por prostatodinia) – Representa também uma inflamação da glândula prostática, mas sem que se consiga identificar o agente responsável por este quadro. O exame bacterioscópico e a cultura dão resultados sempre negativos, embora os sinais e os sintomas sejam semelhantes aos de infecção da próstata. Também é conhecida como “prostatodinia”.

Antes dos 40 anos de idade, os problemas mais comuns são as prostatites. Depois dessa faixa etária, a doença mais frequente é a HPB. Nem uma, nem outra, leva ou predispõe ao câncer. A ocorrência do câncer fica ao redor de 3% enquanto a de HPB atinge a cifra de cerca de 60%.

2. Sintomas

Os sintomas mais comuns da Hiperplasia Prostática Benigna (HPB):

– Jato urinário progressivamente mais fraco, menos volumoso e muitas vezes interrompido;
– Esforço para urinar, especialmente nas primeiras micções da manhã;
– Acordar para urinar à noite por mais de uma vez;
– Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;
– Vontade frequente de urinar;
– Gotejamento terminal – a última parece ser sempre a penúltima gota. Às vezes, o gotejamento chega a molhar ostensivamente a roupa;
– Urgência miccional – quando o indivíduo precisa urinar de imediato;
– Dor ou sensação de queimação no decorrer da micção e a presença de sangue na urina são outras manifestações, embora mais raras, que indicam a necessidade de avaliação da saúde prostática.

3. Prevenção

De acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde e dos consensos nacionais e internacionais sobre o assunto, o paciente deve ser submetido às investigações médicas seguintes aos 45 anos de idade:
– Avaliação clínica geral
– Toque retal
– PSA

Exames básicos de laboratório: determinação do PSA (ou antígeno específico da próstata, enzima produzida na glândula prostática e lançada na corrente sanguínea); dosagem da creatinina no sangue; e exame de urina Tipo I.

4. Toque retal

O toque retal bem feito deve ser indolor e pouco incomodar o bem estar do paciente, que, colocado em posição adequada, facilita a realização do exame que é preventivo e não tem conotação sexual. Com a evolução dos conhecimentos, cada vez mais os homens vão libertando-se dos velhos tabus e compreendendo que este exame é de grande utilidade e em nada compromete sua masculinidade.

5. Tratamento

A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) pode ser considerada uma doença não-letal. Seu tratamento objetiva principalmente restaurar e manter a qualidade de vida do paciente, pois trata-se de uma enfermidade que sabidamente prejudica o seu dia-a-dia. As alternativas são:

– Cirurgia para redução do tamanho da próstata, quando esta se encontra bastante volumosa.
– Ingestão de agentes medicamentosos para reduzir o tamanho da próstata (finasterida e dulasterida) ou controlar a contratura da musculatura lisa da glândula prostática (alfabloqueadores).
– Procedimentos chamados “minimamente invasivos”, como termoterapia e aplicações de raio laser.
– Drogas derivadas de plantas (os fitoterápicos).
– Dispondo desse elenco de alternativas terapêuticas, compete ao urologista analisar com o necessário cuidado as características de seu paciente e decidir qual a melhor opção a ser indicada para minimizar seus sofrimentos miccionais.

6. Família e câncer de próstata

Observa-se que há uma certa predominância do problema em famílias nas quais o câncer de próstata afeta alguns ou muitos de seus membros: quase sempre pai e tios do paciente com suspeita da doença.
Assim, quando há história familiar de câncer prostático, recomenda-se fazer check up das condições de saúde da próstata a partir dos 40 anos.
Em termos alimentares, nota-se que dietas ricas em gorduras, sobretudo de origem animal, parecem aumentar o risco de câncer de próstata. Por outro lado, existe a possibilidade de que a vitamina E, a alimentação com pouca gordura, a soja, a restrição da carne vermelha, os produtos derivados do tomate e o mineral selênio contribuam para retardar o desenvolvimento da doença, mas essa hipótese aguarda confirmação científica.
Tem sido constatado também que homens da raça negra, em particular nos Estados Unidos, evoluem frequentemente com esse tipo de doença. Em contrapartida, os orientais, talvez por seguirem dietas pobres em gordura, são menos afetados.

7. Quando suspeitar?

Muitas vezes, a evolução do câncer de próstata é assintomática, ou seja, o homem não sente dor, alteração urinária ou qualquer outra manifestação suspeita. Em outros casos, a doença pode provocar sintomas semelhantes aos da Hiperplasia Prostática Benigna (HPB). Desse modo, a principal recomendação é a consulta urológica preventiva a partir dos 45 anos ou diante do aparecimento de algum sintoma.

8. Confirmação diagnóstica

Os exames necessários para a confirmação ou não do diagnóstico são o que determina os níveis de PSA no sangue e o toque retal. Este último indica se há presença de caroços na zona periférica da glândula e permite verificar a consistência desses nódulos, bem como outras alterações. Em seguida, é feita a biópsia da próstata, na qual fragmentos da glândula são submetidos a avaliação. Em caso de confirmação de câncer, o tratamento pode ser feito a partir de cirurgia, hormonioterapia ou radioterapia, de acordo com o quadro do paciente.

As informações foram extraídas do livro Conheça a sua Próstata (Editora Bioética), do Prof. Dr. Geraldo de Campos Freire, Livre-Docente e Associado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Publicado originalmente na edição 1 impressa do Guia da 3a Idade

Sobre o autor

Guia da 3a Idade

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