Finanças

Como cuidar do seu dinheiro depois da aposentadoria

© iStockphoto - mightyisland
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Os brasileiros da terceira idade não têm o hábito de aplicar o dinheiro excedente de sua renda. Um levantamento feito pela empresa de pesquisa de mercado Quorum Brasil,e divulgada em maio de 2012, indica que mais de 50% dessa população afirma não fazer algum tipo de investimento. E entre aqueles que afirmam investir, 34% preferem a Caderneta de Poupança; 6%, imóveis; 6%, fundos de renda; e 1% investe em ações. Mas quem disse que sobra dinheiro para poupar?  Outra pesquisa econômica, esta realizada no Paraná, mostra um quadro mais sombrio, o daqueles que não economizam para poupar e ainda gastam o que não têm: três em cada dez aposentados de Curitiba têm dívidas com empréstimo consignado ou cartão de crédito. O levantamento sobre os hábitos de consumo dos idosos, feito para o jornal Gazeta do Povo, pela Paraná Pesquisas, revela que entre os devedores, um terço comprometeu mais de 30% de suas rendas com os empréstimos – porcentagem já considerada como de risco por especialistas em finanças  pessoais. Compra de produtos, gastos com saúde e empréstimos para familiares são os principais motivos que levam os aposentados a comprometer sua renda em financiamento.

… muita gente acaba se endividando para manter seu antigo padrão de vida…

A mesma pesquisa mostra que quase 80% dos idosos têm como principal fonte de renda a aposentadoria do INSS; 10% ainda trabalham e recebem salários; 5% vivem de negócios próprios; e 3% recebem ajuda do cônjuge ou dos filhos. Apenas 2% dos pesquisados recebem aposentadoria complementar de um plano de previdência privada – a previdência privada é muito cara no Brasil.

O fato é que vida não está fácil para ninguém e os que imaginam ser a aposentadoria um mar de rosas, a fase em que se aproveita vida com o que foi ganho em um trabalho de anos, se enganam.  Entrar na aposentadoria significa uma queda na renda, o valor recebido mal cobre as despesas de boa parte da população – quando o ideal seria reservar uma parcela deste para um fundo emergencial. O que se passa é que além de não conseguir guardar dinheiro muita gente acaba se endividando para manter seu padrão de consumo.

Empréstimo consignado

é uma forma de liberação de crédito, condicionado ao desconto na folha de pagamento

A terceira idade é uma das faixas etárias mais sensíveis à oferta do crédito fácil dos bancos e financeiras. Dados da Previdência Social mostram que o total de empréstimos consignados feitos por aposentados e pensionistas chega hoje a R$ 2,9 bilhões, um aumento de 26% em relação ao início de 2011. Por não saber como funciona o mercado financeiro, muitos idosos acabam entrando em um círculo vicioso endividando-se cada vez mais. Apenas 5% deles assinam o contrato avaliando antes o valor total do financiamento, 27% deles fazem o empréstimo considerando somente o valor mensal da dívida.
Os empréstimos consignados liberam o crédito condicionando-o ao desconto na folha de pagamento. Uma garantia que os bancos e financeiras têm de receber o que emprestaram. E por isto mesmo, seus juros são mais baixos do que outras formas de crédito – comprometer a renda com o consignado significa trocar dívidas caras de curto prazo por outras, com juros menores e prazo maior.  Mas, considerando que as taxas de juros no Brasil ainda são umas das mais altas do mundo, o custo financeiro para quem pede o empréstimo é grande. O problema está na facilidade com que é oferecido levando as pessoas a abusar dele. Tem aposentado que faz empréstimo para o filho, começa a comprometer renda com coisas desnecessárias e acaba estourando o limite de sua renda.

… fuja desta tentação

Uma das vantagens de envelhecer é não ter mais as responsabilidades com a educação e manutenção dos filhos. No entanto, a pesquisa feita no Paraná mostrou que 37% dos entrevistados usam sua renda para: auxiliar os filhos (25%), o cônjuge (12,5%), os netos (6%). Dos aposentados que ajudam parentes, quase 64% acabam comprometendo 20% ou mais de sua renda mensal. Ou seja, ajudando a família, a terceira idade acaba se tornando refém emocional dela. Se você se vê em uma situação semelhante, seja firme, mostre aos filhos que sua renda é suficiente apenas para você – e que se conseguir poupar um pouco, no futuro não precisará contar com a ajuda deles.

Cartão de crédito

… uma faca de dois gumes

Recentemente, os bancos reduziram os juros e estão mudando a forma de cobrança dos cartões, após pressão do governo. Mas as taxas ainda não são baixas, estão apenas “menos altas”. Um estudo da ProTeste (associação de defesa do consumidor), no Brasil, mostra que quem entra no crédito rotativo -quando paga só o mínimo da fatura, hoje em 15% – paga taxa média de juro anual de 323,14%. E no Brasil, uma em cada três pessoas que entra no rotativo do cartão acaba ficando inadimplente. Portanto, evite entrar no rotativo, alertam os especialistas financeiros que ainda aconselham: antes de pagar o valor mínimo da fatura, contate a administradora do cartão e negocie para ter juros menores. E esqueça seu cartão na gaveta até conseguir quitar a dívida.

Aprendendo a investir

Use certa disciplina para reservar uma parte da sua aposentadoria, evitando empréstimos e gastos supérfluos, para poder fazer uma aplicação financeira. Para tanto, procure quem entende do assunto – um consultor financeiro, por exemplo. Não ouça apenas o gerente da sua conta no banco. Gerentes não são consultores financeiros, têm metas para cumprir e podem acabar influenciando o cliente a aplicar seu dinheiro em um investimento inapropriado a seu objetivo e perfil de risco. E afinal, eles trabalham para o banco e só vão recomendar os investimentos da sua instituição.

Para tanto, procure quem entende do assunto – um consultor financeiro, por exemplo.

Muitas pessoas só confiam nas aplicações tradicionalmente seguras, como a poupança, temendo os riscos do mercado financeiro. Este temor remete a um cenário de 20 anos atrás, quando o mercado de capitais não dava segurança ao acionista com regras que o protegessem. Hoje a situação mudou, é o que explica o investidor Pedro Marcondes: “A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula o mercado financeiro, procedeu a uma série de alterações na Lei das SAs (sociedades anônimas), com a finalidade de proteger o minoritário (investidores pulverizados, todos aqueles que estão fora do bloco de controle, isto é, os donos). Houve também a criação do Novo Mercado, um grupo de ações de empresas negociadas em bolsa que se enquadravam nas novas regras de boa ´governança corporativa´, transparência, etc, a fim de garantir a tal `segurança ao investidor´”. Marcondes destaca outro fator importante a ser lembrado para explicar a mudança de avaliação de aplicações “de risco”: “a mudança de mentalidade do empresariado brasileiro, que passou a enxergar  a emissão de ações como uma forma interessante de se captar recursos, em vez do simples endividamento em bancos. Até um tempo atrás, o empresário brasileiro possuía verdadeira aversão a compartilhar o controle acionário ou a gestão de sua empresa. Isso o desonerava da obrigação de fornecer informações da empresa ao mercado, já que ela possuía o capital fechado; uma vez negociada em bolsa e, portanto, com o capital aberto, passa a dever satisfação à CVM e aos acionistas minoritários”.

Estratégia de investimento

Quando se forma uma carteira de investimentos é bom analisar primeiro alguns fatores:

Liquidez – a facilidade de transformação de um ativo em dinheiro vivo

Retorno sobre o ativo real – a rentabilidade média do produto sobre o preço ou investimento nele próprio. Por exemplo, se investi R$ 10.000 em ações de uma empresa e algum tempo depois elas valem R$ 16.000, tive um retorno sobre o capital investido de 60% (6000/10000)

Grau de exposição ao risco financeiro – a vulnerabilidade do investimento em relação ao meio externo (ambiente econômico)

Endividamento pessoal – qual a capacidade de endividamento do investidor no momento de aplicar o dinheiro

Cobertura – o prazo (em anos) que o investidor poderia viver apenas usando os demais recursos disponíveis em sua carteira de investimentos e por quanto tempo o valor vai de fato ficar aplicado, pois o período da aplicação irá influir na rentabilidade e também na tributação.

Capacidade de poupança – o valor médio mensal de recapitalização sobre o ativo principal (não restrito ao saldo do fluxo de caixa mensal). Trocando em miúdos: aquilo que sobra no bolso, por mês, para investir.

Somente depois de ponderar esses fatores será possível determinar qual o melhor  investimento. Mas se tudo isto lhe parece complicado demais – o que de fato é para quem não domina  o “economês” – a melhor  solução é ouvir um  consultor financeiro.

Qual o seu perfil de risco?

Esta é a 1a pergunta que um consultor vai lhe fazer. Veja onde você se encaixa:

O consultor financeiro presta um serviço de acompanhamento pessoal, em geral com sessões de até 90 minutos, e é de grande eficiência para:

– Livrar-se do endividamento
– Designar, respeitar e alcançar objetivos financeiros
– Sugerir um controle financeiro doméstico eficiente
– Compreender e decidir-se com bom senso entre as alternativas de investimento disponíveis
– Colocar em prática o planejamento familiar
– Renegociar dívidas
– Empreender

Conservador – Prioriza a segurança, o que leva à escolha de aplicações de menor rentabilidade.  A mais popular é a Caderneta de Poupança, com as vantagens de não ter taxa de administração e ser isenta de Imposto de Renda.

Arrojado – Buscando mais rentabilidade, concorda em correr algum risco aplicando em ativos de renda variável, cuja remuneração ou retorno de capital não pode ser dimensionado no momento da aplicação, podendo variar positivamente ou negativamente de acordo com as expectativas do mercado.

Nesta página indicamos algumas fontes, lembrando também que os veículos de comunicação (revistas, jornais, rádio, tv, sites e blogs) fornecem muita informação a respeito do assunto, nas versões impressa e digital.

Fontes:
Jornais (versão digitalizada)
O Estado de S. Paulo
O Globo
Folha de S. Paulo
Diário da Manhã (Passo Fundo)
Gazeta do Povo (Curitiba)
Valor Econômico

Sites:

www.g9investimento.com.br

www.infomoney.com.br

www.dinheirama.com.br

www.seuconsultorfinanceiro.com.br

www.tveducacaofinanceira.com.br

www.inssfacil.blogspot.com.br

Se a reserva anda curta

É notório que o dinheiro da aposentadoria não permite ao cidadão levar o mesmo padrão de vida que ele tinha antes. Mas em vez de deplorar este fato ou se endividar, como se a realidade financeira ainda fosse a mesma, há algumas medidas que se podem tomar para a vida ficar mais barata:

O carro

Esqueça o carro na garagem ou mesmo, venda-o assim que se acostumar sem ele. Na ponta do lápis as contas mostram que sai muito mais barato viver sem carro – e até mesmo tomar um taxi quando bate o cansaço, dá preguiça ou chove, é permitido. Você economiza os impostos, a revisão mecânica, combustível e ainda anda de graça em ônibus e metrô se tiver mais de 65 anos. Em tempo: andar a pé um ótimo exercício.

Uma outra cidade

Se sua família é do interior- e mesmo se não for – considere mudar para alguma cidade fora das capitais. A vida é mais barata, mais simples, e um pouco mais afastada da tentação do consumismo.

A alimentação

No item alimentação é possível mudar os hábitos: procurar supermercados mais baratos, ir a restaurante com comida por quilo (para quem não costuma fazer as refeições em casa). Algumas iniciativas do governo, como o bom prato fazem o custo da refeição baratear drasticamente. O bom prato é o fornecimento de alimentação balanceada, ao preço de R$ 1,00 o almoço e R$ 0,50 o café da manhã. Endereços dos restaurantes Bom Prato podem serem encontrados no site: http://www.desenvolvimentosocial.sp.gov.br/a2sitebox/arquivos/documentos/336.pdf

Publicado originalmente na edição 2 impressa do Guia da 3a Idade

Sobre o autor

Guia da 3a Idade

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